


Minha querida sobrinha Flavinha (com 1,85 m de altura), é a mais linda médica da família.






No último ano venho sofrendo muito com o climatério. Insônia, labilidade emocional, etc, etc. Cansada de pedir ajuda aos colegas e não ver resultados no meu dia-a-dia, decidi que deveria conhecer melhor o assunto e tomar as rédias da situação. Participei da Jornada de Endocrino na Ilha do Boi e fiquei maravilhada com o aprendizado que obtive.
Tomei a decisão de me tratar corretamente e ter uma melhor qualidade de vida. Chega de insônia. Chega de fazer um cavalo de batalha por nada e de chorar sem grandes motivos. Já até perdi amigo por conta do meu destempero. E o pior é que somente agora me dei conta disso.
Comecei a tratar e já estou me sentindo outra.
Meu marido diz que voltei a ser a pessoa que ele ama novamente. Agora com noites repousantes minha fisionomia no dia seguinte é outra; minha disposição para o trabalho é outra; minha alegria de viver está me deixando muito mais feliz.
Viva a reposição hormonal!


Amar o perdido deixa confundido este coração.
Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.
Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão. (Drummond)
Adoraria viver somente no presente, mas tenho um pé bem fincado no presente e o outro preso atrás, no passado. E isso é para mim no mínimo perturbador.
Minha memória não dá tréguas, vive embrenhada em lembranças.
Hoje acordei pensando em uma pessoa que muitas vezes me disse tantas coisas óbvias mas de uma forma tão extraordinária que deixaram em mim marcas profundas. Ela se foi não antes de mudar completamente minha vida. São aqueles que vem, imprimem nosso ser com caracteres indeléveis e não se vão, permanecem presentes na ausência.
Me entristeço muitas vezes ao pensar que não mais terei aquelas obviedades que chegavam a mim de forma tão intensa e transformadora. Na verdade são condições ou estados que gostaríamos muito que fossem permanentes e o que se quer é agarra-las a qualquer preço. Por um momento se mostram insustentáveis e irrevogáveis, as vemos se esvaindo entre os dedos, nos deixando um vazio avassalador quando se vão.
É uma forma de amor perdido para sempre…

Hoje fiquei refletindo o quanto “os outros” interferem em nossa sensibilidade.
Ao saber que uma colega de trabalho tinha tirado um mês de férias para ficar com a filha que ganhou bebê no Rio de Janeiro e sabendo que essa filha foi colega de turma de falculdade da minha filha, senti imediatamente um vazio enorme. Fiquei imaginando o quanto eu gostaria de ser (ou não) avó.
Até que ponto nossas carências e desamparo nos fazem sentir a necessidade da proximidade com outras pessoas?
Por que esse vazio que me ocorreu momentâneamente ?
As sensações que surgem de forma inexplicáveis , na verdade nos revelam o quanto precisamos de referências para nos satisfazer. Como tive apenas uma filha, achava que o fato de ser avó poderia suprir os meus mais profundos anseios de ser mãe novamente. O frio no estômago que senti vem da percepção de que nunca poderei satisfazer esse desejo.
A carência afetiva é inerente ao ser humano e é devido a necessidade relacional existencial. É justamente essa carência que nos faz ir de encontro ao outro, de sentirmos aconchegados com o acolhimento. A sensação de plenitude que experimentamos quando somos bem recebidos nos dá segurança e autoconfiança.
Estou precisando fazer mais AMIGOS…
Estou mesmo de bem com a vida.
Meu mais novo namoro não tem absolutamente nenhuma conotação sexual . Na verdade meu namorado faz parte de uma felicidade “artesanal” – que optei por construir – que é o meu mais novo local de lazer. O meu novo habitat na praia . Nem sinto mais vontade de viajar para nenhum lugar. Tudo conspira e me atrai pra lá. Esse encantamento todo reside no fato de eu ver nele duas possibilidades que se complementam: o bem-estar atual, imediato, ligado ao momento presente; e o habitual, de longo prazo, que permeia várias instâncias da minha vida.
O meu momento atual pode ser descrito como uma vivência flow – ou seja, um mergulho intenso e entrega a uma atividade prazerosa. A sensação de relaxamento que experimento quando lá estou, me proporciona uma sensação agradável que chamo de “afeto positivo” pelo local. Isso é verdadeiramente um namoro.
Acredito que podemos exercer uma grande influência sobre nossos destinos e só fica satisfeito com sua vida quem tem autonomia para fazer escolhas e arcar com as conseqüências delas, ou seja, determinar as condições para sua própria felicidade, independentemente de opinião alheia, tendências ou modismos.
Não quero correr atrás de grandes sonhos. Eles ficaram no passado e não mais fomentam meus anseios. Prefiro realizar os pequeninos que vão me direcionando para aquela sensação gratificandte de dever cumprido e consequente apaziguamento dos meus desejos.
Acho que devemos moldar nosso próprio bem-estar e investir nas “pequenas alegrias”, a despeito dos contratempos que inevitavelmente enfrentamos.
Penso que definitivamente encontrei meu modus operandi.

Sou uma arrombadora de portas.
Não tenho medo de nada, sempre enfrentei todos os obstáculos que a vida colocou no meu caminho com determinação. Na vida, acredito que não vale tanto o que tenho, nem tanto importa o que sou. Vale o que realizo com aquilo que possuo e, acima de tudo, importa o que faço de mim. Tudo que faço de mim é às custas de muita batalha interna. Trabalho árduo de auto-entendimento. Penso que sou feita de um bom barro. Encontro sempre dentro de mim as respostas que procuro.
Vivo minha vida como quem sorve uma taça de preciosa bebida. Saboreio lentamente toda conquista, todas as coisas que tão somente fazem a minha alegria.
Por outro lado, já sofri muito. Já chorei muito, por amor e por desamor, mas sempre busquei a luz que dissipa a treva.
Muitas pessoas dizem que vivo sorrindo e eu digo que o que me faz em sorriso é a vida que levo.
Sempre gostei de escrever. Escrevo para aliviar a dor da vida. Escrevo para me auto-analisar. Escrevo muito mais para celebrar as alegrias da vida. Escrever é cientificamente comprovado ser uma atividade terapêutica. A escrita já me sauvou em momentos muito críticos. Através dela mostro toda a minha mais lúcida sanidade como também a força da minha ira demente.
Para e por amar, é a vida que levo.
E você como leva a sua vida?

“Pois toda essa beleza que te veste Vem do meu coração que é teu espelho; O meu vive em teu peito, e o teu me deste.” Soneto XXII – Shakespeare, 1609
Existe uma relação entre paixão e criatividade. Essas são duas forças intensas, capazes de romper as barreiras da razão, que muitas vezes parecem caminhar juntas; o resultado dessa associação são obras de arte, música e literatura de inestimável valor não só para artistas e suas musas, mas para toda a humanidade
Quantas poesias, contos e romances têm falado de amor e de dor ao longo dos tempos? Encontros ardentes e avassaladores e paixões impossíveis, permeiam o imaginário de homens e mulheres e afetam pessoas de diferentes classes sociais, em variados contextos históricos e culturais. Parece haver um paradoxo entre forças intensas capazes de romper as barreiras da razão para jogar no infinito um oceano desordenado de sentimentos que, ao mesmo tempo, inundam a alma de amor… e medo.
Quem nunca se viu, pelo menos uma vez, inesperadamente apaixonado? A condição pode parecer única àquele que a vive, mas as referências a esse estado aparecem de inúmeras formas, representadas por diferentes povos.
Quem é o objeto da paixão? Talvez aquele que traga a esperança do resgate de um elo perdido. A psicanalista Melanie Klein, inspirada em Freud, diz que o bebê, desde o seu nascimento, sofre uma angústia de morte diante de sensações como dor, fome e frio. Sua fragilidade física e biológica o leva ao desamparo emocional. O encontro com o prazer de ser acalentado e cuidado gera uma sensação de bem-estar vivida como plena. O mundo para um bebê seria traduzido por Klein em termos absolutos: a gratificação gera sensações prazerosas totalmente boas, assim como a frustração leva a sensações de dor, ameaça e sofrimento. “Bom e mau” representariam o maniqueísmo do universo psíquico do bebê em seus primeiros meses de vida.
A paixão faz reviver instabilidades deste vínculo frágil e primitivo de dependência e apego. O escolhido, objeto da paixão, geralmente, é alguém que representa a esperança de alcançar o objeto bom idealizado. Muitas vezes, a pessoa pela qual nos apaixonamos tem atributos sutis, capazes de ativar e trazer para o presente experiências afetivas de modelos da primeira infância. Detalhes como o tom de voz, a forma de olhar ou a textura da pele, por exemplo, podem ser mais importantes como elementos catalisadores da paixão do que outros atributos aparentemente bastante significativos. A imagem e as expectativas valem mais. Daí sua associação com a ilusão. Sensações de entorpecimento, carregadas de fantasias que parecem preencher por completo os enamorados, os levam a perder o apetite e o sono e a diminuir sua capacidade de concentração nas divagações quase surreais.
Diante da solidão e da incompletude inevitáveis da condição humana, surge a paixão com a fantasia e a promessa de uma vida plenamente feliz, numa tentativa emocional de retorno a algum estágio anterior que negue o desamparo, o medo e os limites impostos pela vida. O paradoxo, porém, está na força que acompanha o desejo – já presente nas palavras de Platão – de um encontro perfeito, onde duas metades se unem e se fundem – livrando-nos da dor. Mas só existe o desejo quando há a constatação da falta.
Apaixonados incansáveis são os poetas, os pintores, os escritores, os músicos, ou mesmo os médicos, professores, psicanalistas… Em comum têm o fato de construírem um universo a partir de um mundo interior muitas vezes dolorido. De alguma forma, deve-se a eles toda a gratidão por terem a generosidade de expor ao mundo suas almas sofridas, num movimento criativo de reavaliação que acaba por tocar no âmago de cada um de nós, construir novos paradigmas, traçar sempre um novo olhar para as infinitas e, por vezes, impensáveis possibilidades.