Edinacurzio’s Weblog
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Nov
05

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“O mundo é um palco,
No qual homens e mulheres são apenas atores.
Fazem sua entrada, sua saída
E a cada homem, em seu tempo, cabem papéis.”
 
 Essa é a célebre fala da peça As You Like It (Como Gostais / Como Você Quiser) escrita por Shakespeare em 1599.
 
Em Como gostais, escrita em 1599, é contada a história de Rosalinda, uma jovem que, em meio a uma disputa sucessória em um ducado na França, precisa fugir da vida na corte. Para chegar ao seu final feliz, ela terá de passar por mil provações, inclusive se disfarçar de homem. 
 
Na nossa literatura temos também nossa Rosalinda, como o Diadorim em O Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa . Acho que Guimarães Rosa como também Machado de Assis  utilizavam  como instrumento as obras de Shakespeare para revelar as raízes do humano, instrumentos dos quais, esses três gênios, souberam fazer o mais perfeito uso. 
 
Vemos nessas histórias como as personagens se disfarçam para atingir seus objetivos. Para se ter certeza dos sentimentos da outra pessoa.
 
Quem nunca já teve vontade de se disfarçar por algum motivo, seja timidez, curiosidade ou mesmo para se ter certeza do que se passa na cabeça de outra pessoa, para conhecer as verdadeiras raízes dos sentimentos de outrem.
 
Muitas pessoas não dizem com palavras tão sinceras o que pensam de alguém próximo, por medo de magoar, por educação ou mesmo por não querer revelar seus sentimentos mais profundos.
 
O disfarce surge como um artifício da liberdade de se  apoderar da verdade, de indagar questões com o objetivo de se obter as respostas mais sinceras. O que pode ser revelador, instigante e até mesmo assustador. 
  
Ainda que o disfarce seja libertador,e possibilite que se faça aquilo que se queira sem se preocupar com a opinião do outro, ao testar a nossa aceitação pelos outros, nos buscamos na realidade subsídios  que nos levam a assumir quem realmente somos.
 
Acho que essa vida é mesmo um palco e que somos meros atores e que tudo é válido, desde que não estejamos ferindo ninguém, para alcançarmos a tão sonhada felicidade. 
 
 
Rosalinda também é o oitavo satélite conhecido de Úrano e foi descoberto pela Voyager 2. Nome dado em homenagem à Rosalinda de Shakespeare.   

 

Nov
04

 

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Amar o perdido deixa confundido este coração.

Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.

As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.

Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão. (Drummond)

Adoraria viver somente no presente, mas tenho um pé bem fincado no presente e o outro preso atrás, no passado. E isso é para mim no mínimo perturbador.

Minha memória não dá tréguas, vive embrenhada em lembranças.

Hoje acordei pensando em uma pessoa que muitas vezes me disse tantas coisas óbvias mas de uma forma tão extraordinária que deixaram em mim marcas profundas. Ela se foi não antes de mudar completamente minha vida. São aqueles que vem, imprimem nosso ser com caracteres indeléveis e não se vão, permanecem presentes na ausência.

Me entristeço muitas vezes ao pensar que não mais terei aquelas obviedades que chegavam a mim de forma tão intensa e transformadora. Na verdade são condições ou estados que gostaríamos muito que fossem permanentes  e o que se  quer é agarra-las a qualquer preço. Por um momento se mostram insustentáveis e irrevogáveis, as vemos se esvaindo entre os dedos, nos deixando um vazio avassalador quando se vão.

 É uma forma de amor perdido para sempre…

Nov
02

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Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.

 William Shakespeare

Cheguei ontem de viagem e queria ir direto ao cemitério para enfeitar a lápide da minha filha, mas Vila Velha está literalmente debaixo dágua, um horror! Hoje terei de ir junto daquela multidão. Coisa que detesto…
Já acordei com taquicardia só de pensar que tenho que estar perto dos “ossinhos” da minha filha e ficar relembrando daquela tristeza, naquele lugar melancólico. Mesmo depois de mais de oito anos pós-mortem, ainda é muito difícil repetir todo ano esse mesmo ritual. Saio de lá em frangalhos.
Eu sinceramente acho que homenagear mortos é uma tradição completamente desnecessária. É reavivar sofrimento. É lamentar uma perda irreparável. É trazer para hoje o sofrimento do passado, como bem disse Shakespeare.
Já pensei muitas vezes em não fazer nada. Não comprar flôres, não chegar nem perto do local do sepultamento, mas penso que não ficaria bem agindo assim. Todo ano  preparo o mais lindo arranjo e com meu coração partido de mãe faço a única coisa que me resta fazer: chorar de saudade.
Out
29

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Hoje fiquei refletindo o quanto “os outros” interferem em nossa sensibilidade.

Ao saber que uma colega de trabalho tinha tirado um mês de férias para ficar com a  filha que ganhou bebê no Rio de Janeiro e sabendo que essa filha foi colega de turma de falculdade da minha filha, senti imediatamente um vazio enorme. Fiquei imaginando o quanto eu gostaria de ser (ou não) avó.

Até que ponto nossas carências e desamparo nos fazem sentir a necessidade da proximidade com outras pessoas?

Por que esse vazio que me ocorreu momentâneamente ?

As sensações que surgem de forma inexplicáveis , na verdade nos revelam o quanto precisamos de referências para nos satisfazer. Como tive apenas uma filha, achava que o fato de ser avó poderia suprir os meus mais profundos anseios de ser mãe novamente. O frio no estômago que senti vem da percepção de que nunca poderei satisfazer esse desejo.

A carência afetiva é inerente ao ser humano e  é devido a necessidade relacional existencial. É justamente essa carência que nos faz ir de encontro ao outro, de sentirmos aconchegados com o acolhimento. A sensação de plenitude que experimentamos quando somos bem recebidos nos dá segurança e autoconfiança.

Estou precisando  fazer mais AMIGOS…

Out
27

Estou mesmo de bem com a vida.

Meu mais novo namoro não tem absolutamente nenhuma conotação sexual . Na verdade meu namorado faz parte de uma felicidade “artesanal” – que optei por construir –  que é o meu mais novo local de lazer. O meu novo habitat na praia . Nem sinto mais vontade de viajar para nenhum lugar. Tudo conspira e me atrai pra lá. Esse encantamento todo reside no fato de eu ver nele duas possibilidades que se complementam: o bem-estar atual, imediato, ligado ao momento presente; e o habitual, de longo prazo, que permeia várias instâncias da minha vida. 

 O meu momento atual pode ser descrito como uma vivência flow – ou seja, um mergulho intenso e entrega a uma atividade prazerosa. A sensação de relaxamento que experimento quando lá estou, me proporciona uma sensação agradável que chamo de “afeto positivo” pelo local. Isso é verdadeiramente um namoro.

Acredito que podemos exercer uma grande influência sobre nossos destinos e só fica satisfeito com sua vida quem tem autonomia para fazer escolhas e arcar com as conseqüências delas, ou seja, determinar as condições para sua própria felicidade, independentemente de opinião alheia, tendências ou modismos.

Não quero correr atrás de grandes sonhos. Eles ficaram no passado e não mais fomentam meus anseios. Prefiro realizar os pequeninos  que vão me direcionando para aquela sensação gratificandte de dever cumprido e consequente apaziguamento dos meus desejos.

Acho que devemos moldar nosso próprio bem-estar e investir nas “pequenas alegrias”, a despeito dos contratempos que inevitavelmente enfrentamos.

Penso que definitivamente encontrei meu modus operandi.

Out
25

Meu  marido que me perdoe, mas ele não é mais o principal foco das minhas atenções. Estou enamorada. Arranjei um novo amor.

Não qualquer amorzinho, mas é um amorzão.

Estou naquela deliciosa fase de encantamento, admiração. Tudo é muito novo. Ele também é novo. Novinho em fôlha. Foi paixão à primeira vista. Agora todos os meus pensamentos são pra ele. Já são três meses de pura curtição. Eu o estou enchendo de presentes.  Estou a enfeitá-lo e isso está me dando muito contentamento.

Não sei até quando esse amor todo vai durar. E nem me preocupo com isso. Mas que seja eterno enquanto estiver me distraindo e me deixando feliz.

Out
22

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Sou uma arrombadora de portas.

Não tenho medo de nada, sempre enfrentei todos os obstáculos que a vida colocou no meu caminho com determinação. Na vida, acredito que não vale tanto o que tenho, nem tanto importa o que sou. Vale o que realizo com aquilo que possuo e, acima de tudo, importa o que faço de mim.  Tudo que faço de mim é às custas de muita batalha interna. Trabalho árduo de auto-entendimento. Penso que sou feita de um bom barro. Encontro sempre dentro de mim as respostas que procuro.

Vivo minha vida como quem sorve uma taça de preciosa bebida. Saboreio lentamente toda conquista, todas as  coisas que tão somente fazem a minha alegria.

Por outro lado, já sofri muito. Já chorei muito, por amor e por desamor, mas sempre busquei a luz que dissipa a treva.

Muitas pessoas dizem que vivo sorrindo e eu digo que o que me faz em sorriso é a vida que levo.

Sempre gostei de escrever. Escrevo para aliviar a dor da vida. Escrevo para me auto-analisar. Escrevo muito mais para celebrar as alegrias da vida. Escrever é cientificamente comprovado ser uma atividade terapêutica. A escrita já me sauvou em momentos muito críticos. Através dela mostro toda a minha mais lúcida sanidade como também a  força da minha ira demente.

Para e por amar, é a vida que levo.

E você como leva a sua vida?

Out
19

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“Pois toda essa beleza que te veste Vem do meu coração que é teu espelho; O meu vive em teu peito, e o teu me deste.” Soneto XXII – Shakespeare, 1609

Existe uma relação entre paixão e criatividade. Essas são duas forças intensas, capazes de romper as barreiras da razão, que muitas vezes parecem caminhar juntas; o resultado dessa associação são obras de arte, música e literatura de inestimável valor não só para artistas e suas musas, mas para toda a humanidade

Quantas poesias, contos e romances têm falado de amor e de dor ao longo dos tempos? Encontros ardentes e avassaladores e paixões impossíveis, permeiam o imaginário de homens e mulheres e afetam pessoas de diferentes classes sociais, em variados contextos históricos e culturais. Parece haver um paradoxo entre forças intensas capazes de romper as barreiras da razão para jogar no infinito um oceano desordenado de sentimentos que, ao mesmo tempo, inundam a alma de amor… e medo.

Quem nunca se viu, pelo menos uma vez, inesperadamente apaixonado? A condição pode parecer única àquele que a vive, mas as referências a esse estado aparecem de inúmeras formas, representadas por diferentes povos.

Quem é o objeto da paixão? Talvez aquele que traga a esperança do resgate de um elo perdido. A psicanalista Melanie Klein, inspirada em Freud, diz que o bebê, desde o seu nascimento, sofre uma angústia de morte diante de sensações como dor, fome e frio. Sua fragilidade física e biológica o leva ao desamparo emocional. O encontro com o prazer de ser acalentado e cuidado gera uma sensação de bem-estar vivida como plena. O mundo para um bebê seria traduzido por Klein em termos absolutos: a gratificação gera sensações prazerosas totalmente boas, assim como a frustração leva a sensações de dor, ameaça e sofrimento. “Bom e mau” representariam o maniqueísmo do universo psíquico do bebê em seus primeiros meses de vida.

A paixão faz reviver instabilidades deste vínculo frágil e primitivo de dependência e apego. O escolhido, objeto da paixão, geralmente, é alguém que representa a esperança de alcançar o objeto bom idealizado. Muitas vezes, a pessoa pela qual nos apaixonamos tem atributos sutis, capazes de ativar e trazer para o presente experiências afetivas de modelos da primeira infância. Detalhes como o tom de voz, a forma de olhar ou a textura da pele, por exemplo, podem ser mais importantes como elementos catalisadores da paixão do que outros atributos aparentemente bastante significativos. A imagem e as expectativas valem mais. Daí sua associação com a ilusão. Sensações de entorpecimento, carregadas de fantasias que parecem preencher por completo os enamorados, os levam a perder o apetite e o sono e a diminuir sua capacidade de concentração nas divagações quase surreais.

Diante da solidão e da incompletude inevitáveis da condição humana, surge a paixão com a fantasia e a promessa de uma vida plenamente feliz, numa tentativa emocional de retorno a algum estágio anterior que negue o desamparo, o medo e os limites impostos pela vida. O paradoxo, porém, está na força que acompanha o desejo – já presente nas palavras de Platão – de um encontro perfeito, onde duas metades se unem e se fundem – livrando-nos da dor. Mas só existe o desejo quando há a constatação da falta.

Apaixonados incansáveis são os poetas, os pintores, os escritores, os músicos, ou mesmo os médicos, professores, psicanalistas… Em comum têm o fato de construírem um universo a partir de um mundo interior muitas vezes dolorido. De alguma forma, deve-se a eles toda a gratidão por terem a generosidade de expor ao mundo suas almas sofridas, num movimento criativo de reavaliação que acaba por tocar no âmago de cada um de nós, construir novos paradigmas, traçar sempre um novo olhar para as infinitas e, por vezes, impensáveis possibilidades.

 

Out
17

 

Fazer anos é triste.      Aniversariar é alegre.

Fazer anos é comemorar a proximidade da morte. Seria comemorrer. Fazer anos é viver um ano a menos. Seria menosviver. Fazer anos é relembrar anos vividos, sonhos perdidos, vida que ficou pra trás. É perceber que a pele já não é mais a mesma e no espelho notar à cada ruga o que deveria ter sido e não foi. É se sentir exausto, cansado de correr sem saber para onde.  É se sentir perdido entre os “seu eu”, “hei de ser”, “algum dia”… Festejar quando se faz anos é chamar os amigos para sua própria missa de requiém e embebedar com eles para esquecer o tempo que ainda resta. Acender velas é elevar o mistério do fogo da criação. Apagando a chama, você estará apagando também a vida contida nela. Fantástico é quem inventou a vela que reacende sozinha pois dá a ilusão de volta aos anos perdidos. Cantar em volta do fogo é repetir os cultos tribais mais antigos e saudar os mortos. Os anos mortos.

 Aniversariar é alegre.

É levantar um brinde à vida, é fortalecer-se de lembranças boas, é reestruturar um novo dia. Aniversariar é renovar, é viver de novo, é esperançar. É tomar consciência do que se é agora, sem se preocupar com o que se foi ou será. Aniversariar é acender luzes, e acender a chama da vida e sentir no fogo da vela a glória da criação. Apagando a vela você estaria provando o domínio que tem pelo seu caminho. Aniversariar é relembrar sonhos de príncipes e reis e se aperceber soberano do seu EU. Aniversariar é alegrar-se e aos amigos. Aniversariar é chic, é soft. Aniversariar é celebrar o sopro mágico da vida. Aniversariar é fazer juz à suas messes, meses e missas.

Feliz aniversário !      17/10/1951

Out
15

 Meu apartamentinho da praia ficou um encanto. Fiz as cortinas, almofadas e quadros.

Cuidei de todos os detalhes com muito carinho. 

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Usei uma foto em preto e branco, minha e do meu marido, para fazer o pôster que decora a sala:

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O quadro que pintei para o meu quarto retrata o fundo do mar:

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O adesivo de parede que a amiga Dani me sugeriu,  deu um realce especial à parede verde atrás da cama:

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A parede na cor beterraba profundo serviu de fundo para esses quadros com gravuras de mar:

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O contraste da sanca e da barra roda-pé preta com o cinza em detalhes na parede deu um efeito muito bom, na cozinha gourmet:

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Para a varanda bolei um cantinho todo especial para contrastar com o visual lindo do mar:

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Para uma cozinha em preto-branco-prata fiz um quadro óleo-sobre-tela com cores bem vivas que retratam as múltiplas cores dos alimentos.

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