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Mágoa

“Um homem sábio se apressará a perdoar, pois sabe o verdadeiro valor do tempo, e não sofrerá por se livrar de uma aflição desnecessária.” Samuel Johnson.

 

- Como manter a serenidade quando alguém nos faz sofrer ou nos     desaponta?

- De que maneira se pode sofrer, mas sem conservar uma mágoa latente?

Não é fácil recuperar a serenidade depois de sermos maltratados.

Quando algo acontece em nossas vidas que não queríamos que acontecesse e passamos a lidar com esse problema alugando um espaço muito grande na nossa mente, pensando muito a respeito, abrimos espaços para surgimento da mágoa.

Na verdade, a mágoa surge porque algum acontecimento ou coisa que realmente esperávamos que acontecesse não se concretizou. Algo aconteceu que não desejávamos que acontecesse; aí surge o ressentimento. Ou, ao contrário, não aconteceu algo que realmente desejávamos. Em resumo, a vida se desenrolou de modo muito diferente ao da expectativa.

Enfrentar o desafio de como se reconciliar com a perda de algo que era  muito valioso para nós é uma tarefa inevitável da vida.

Às vezes, diante do inesperado, não temos a habilidade de controlar os sentimentos, e a mágoa surge pela falta de instrumentos psíquicos para enfrentar a realidade das coisas, as quais não sairam da maneira esperada.

Aprender a lidar com nossas reações  diante de determinadas experiências e não sofrer tanto é a chave da questão.

O abandono, a perda de um ser amado, a decepção com a ação das pessoas, gera um desapontamento tão grande que se não nos fortalecermos com o sofrimento, a mágoa nos dominará.

Para que a mágoa não nos domine temos que formular as seguintes questões: Quanto tempo vamos gastar pensando a respeito dos sofrimentos e desapontamentos? E, quando pensamos neles, quanta intensidade devemos investir nisso?

Não podemos ocupar nossa mente com ressentimentos porque deixaremos de apreciar outras coisas em nossa vida que são maravilhosas. A perda da beleza em nossas vidas é um dano irreparável que a mágoa pode acarretar.

Quando pensamos muito nas feridas, elas passam a ter poder sobre nós.

A vida não é perfeita mas precisamos a aprender a sofrer menos.

Sentimos sós no sofrimento porque o tomamos como uma experiência intensamente pessoal e não conseguimos  reconhecer que o sentimento de dor, tem na verdade um caráter impessoal. Ao assumirmos a injustiça em termos pessoais, o sofrimento se prolonga e a mágoa se estabelece.

O sofrimento, muitas vezes também, nos faz adotar uma reação primitiva de luta-ou-fuga, em que  vamos querer que a pessoa que nos fez sofrer pague com a mesma moeda, ou por outro lado podemos querer nunca mais voltar a ver aquele que nos magoou. Podemos tentar nunca mais pensar nessa pessoa. Estaremos desse modo assumindo também tudo em termos muito pessoais. Não será o resultado de um pensamento cuidadoso e produtivo. Será uma opção insuficiente que não nos ajudará diante de situações emocionais difíceis, nem nos ajudará a lidar com experiências dolorosas, ou a lidar com as sutilezas de um  relacionamento.

O maior erro que podemos cometer é culpar a pessoa que nos fez sofrer pela aflição que sentimos. Ao culpar a outra pessoa pela maneira como nos sentimos, concedemos a essa pessoa o poder de controlar nossas emoções, e assim continuaremos sofrendo. Não podemos transferir a responsabilidade pelo nosso sofrimento para outra pessoa que está pouco se importando com nossa dor.

Temos que viver nossa vida, curando-nos e seguindo adiante. O perdão é a chave para destrancar a porta e poder sair.

Mas o perdão não pode ser forçado. Não vamos perdoar apenas porque achamos que devemos. Nós não temos que perdoar alguém que nos fez sofrer. Por outro lado, podemos perdoar todos que nos tenham ferido. A decisão é nossa. É   uma opção nossa. Ao escolher o perdão, renunciaremos ao passado para curar o presente.

Devemos assumir a responsabilidade por como nos sentimos quando alguém nos faz sofrer.

O perdão nos dará a sensação de paz quando assumimos nosso sofrimento em termos menos pessoais e a responsabilidade pelo que sentimos.

O perdão é a experiência de serenidade no momento presente; não muda o passado, mas modifica o tempo atual. O perdão significa que embora ferido, optamos por menos sofrimento e menos mágoa. O perdão significa que nos tornamos parte da solução. É a compreensão de que o sofrimento é parte normal da vida.

O perdão é para nós e para mais ninguém. Podemos perdoar e reater um relacionamento, ou perdoar e nunca mais voltar a falar com a pessoa.

O perdão não significa achar que o que aconteceu estava certo. O perdão não significa fechar os olhos ao abandono, à conduta grosseira, desatenciosa de alguém que nos fez sofrer.

Perdão não é sinônimo de esquecimento. Não devemos esquecer o que aconteceu. Devemos é lembrar para garantir que o mesmo fato ruim não tornará a acontecer. Podemos perdoar e decidir que não há razão alguma para ter qualquer relação com a pessoa que nos fez sofrer. Ou poderemos reconciliar e restabelecer a relação  se entendermos que ainda valha a pena.

A vida muitas vezes força uma mudança de planos. Força a mudar de direção e a imaginar como teremos que nos adaptar da melhor forma possível. Temos que desenvolver a capacidade de enfrentar a adversidade.

Preciso sempre repetir: Eu quero me tornar uma pessoa mais forte.

Tudo que nos fere é um desafio a felicidade. É um desafio ser feliz nesse mundo. Nós merecemos o melhor, e o perdão nos ajuda a encontrá-lo.

Quando tomamos medidas para aliviar a dor emocional, naturalmente nos libertamos de quem nos causou tanta dor.

 

Considerações que devem ser feitas nos momentos de dor:

- As pessoas não são perfeitas e é possivel que nos façam sofrer às vezes.

- Dispensar o menor tempo possível da vida no desconforto causado pela raiva ou sofrimento. Reagir bem quando as coisas não vão como planejado.

- A vida chega com experiências tanto positivas quanto desagradáveis.

- Lidar com a vida é um desafio. Aceitar os desafios que a vida coloca no caminho. A dor desafia a determinação de viver de forma plena e o mais amorosa possível.

- A vida está repleta de beleza incrível. Se perdoar quando se afastar dessas lembranças.

- As pessoas fazem o melhor possível. Quando erram, a melhor maneira de ajudá-las é tentar compeendê-las.

- Não sou perfeita. Como posso esperar que alguém seja?

- Assumir o compromisso de fazer o que tem que ser feito para se sentir melhor.

- Investir a energia na procura de outra maneira para obter a satisfação dos meus objetivos a partir da experiência que me fez sofrer.

- Lembrar sempre que uma vida bem vivida é a melhor vingança. Não ficar estagnada no sofrimento e procurar amor, beleza e bondade ao redor.

 

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