Virando a página
Ainda bem que o primeiro semestre desse ano está por terminar. Nele passei do céu ao inferno. Xô! Satanás…
Pensava ter encontrado o sol da minha vida. O sol me cegou. Queimou minha retina. Sabotou meu juízo. Raptou meu dissernimento e minha compostura.
Bruxos se escondem em castelos ou catedrais e nos fazem embrenhar em fantasias. Nos enebriam. Nos entorpecem. Depois nos envenenam tal como uma serpente poderosa.
Por quase um mês percorri em pântano lúgubre. Os dias não mais escalavam o céu, espalhavam-se idênticos e cinzentos sobre uma toalha horizontal. Cada novo dia imitava o dia precedente; num eterno presente inútil e sem esperança. É como se minha existência não se encontrasse em minhas mãos. Era um estar sempre de atalaia: olhar duro, facies séria e cabisbaixa. Era uma luta contra o fracasso, contra a vergonha do fracasso, contra a decepção do fracasso.
Como a rever um album de fotografias em preto e branco, branco-cinzento-preto, imagens e cenas estáticas, sem movimento. Distantes e frias.
Tudo em mim parou. Energia que não mais se emanava. Força contida, retida, sem vida.
A vida respirava por aparelhos: o casamento, o romance, a beleza, a alegria.
Ainda não estou totalmente sóbria. Convalescente de um terremoto; curando feridas…
Já desliguei os aparelhos. Consigo hoje, respirar livremente. E até já esboço um sorriso.
Que bruxos, magos, deuses e reis fiquem apenas encarcerados nos seus contos de fadas…
Afinal, nem preciso de um Sol… Um mormaçinho é suficiente para manter minha pele dourada e linda. Isso sem contar que um mormaço faz muito melhor para a saúde. E a vida agradece…
“A vida não se conta pelo número de vezes que se respira, mas pelos momentos em que se perde a respiração”.
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