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Amor perdido

 

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Amar o perdido deixa confundido este coração.

Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não.

As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.

Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão. (Drummond)

Adoraria viver somente no presente, mas tenho um pé bem fincado no presente e o outro preso atrás, no passado. E isso é para mim no mínimo perturbador.

Minha memória não dá tréguas, vive embrenhada em lembranças.

Hoje acordei pensando em uma pessoa que muitas vezes me disse tantas coisas óbvias mas de uma forma tão extraordinária que deixaram em mim marcas profundas. Ela se foi não antes de mudar completamente minha vida. São aqueles que vem, imprimem nosso ser com caracteres indeléveis e não se vão, permanecem presentes na ausência.

Me entristeço muitas vezes ao pensar que não mais terei aquelas obviedades que chegavam a mim de forma tão intensa e transformadora. Na verdade são condições ou estados que gostaríamos muito que fossem permanentes  e o que se  quer é agarra-las a qualquer preço. Por um momento se mostram insustentáveis e irrevogáveis, as vemos se esvaindo entre os dedos, nos deixando um vazio avassalador quando se vão.

 É uma forma de amor perdido para sempre…

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