Disfarces
“O mundo é um palco,
No qual homens e mulheres são apenas atores.
Fazem sua entrada, sua saída
E a cada homem, em seu tempo, cabem papéis.”
No qual homens e mulheres são apenas atores.
Fazem sua entrada, sua saída
E a cada homem, em seu tempo, cabem papéis.”
Essa é a célebre fala da peça As You Like It (Como Gostais / Como Você Quiser) escrita por Shakespeare em 1599.
Em Como gostais, escrita em 1599, é contada a história de Rosalinda, uma jovem que, em meio a uma disputa sucessória em um ducado na França, precisa fugir da vida na corte. Para chegar ao seu final feliz, ela terá de passar por mil provações, inclusive se disfarçar de homem.
Na nossa literatura temos também nossa Rosalinda, como o Diadorim em O Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa . Acho que Guimarães Rosa como também Machado de Assis utilizavam como instrumento as obras de Shakespeare para revelar as raízes do humano, instrumentos dos quais, esses três gênios, souberam fazer o mais perfeito uso.
Vemos nessas histórias como as personagens se disfarçam para atingir seus objetivos. Para se ter certeza dos sentimentos da outra pessoa.
Quem nunca já teve vontade de se disfarçar por algum motivo, seja timidez, curiosidade ou mesmo para se ter certeza do que se passa na cabeça de outra pessoa, para conhecer as verdadeiras raízes dos sentimentos de outrem.
Muitas pessoas não dizem com palavras tão sinceras o que pensam de alguém próximo, por medo de magoar, por educação ou mesmo por não querer revelar seus sentimentos mais profundos.
O disfarce surge como um artifício da liberdade de se apoderar da verdade, de indagar questões com o objetivo de se obter as respostas mais sinceras. O que pode ser revelador, instigante e até mesmo assustador.
Ainda que o disfarce seja libertador,e possibilite que se faça aquilo que se queira sem se preocupar com a opinião do outro, ao testar a nossa aceitação pelos outros, nos buscamos na realidade subsídios que nos levam a assumir quem realmente somos.
Acho que essa vida é mesmo um palco e que somos meros atores e que tudo é válido, desde que não estejamos ferindo ninguém, para alcançarmos a tão sonhada felicidade.
Rosalinda também é o oitavo satélite conhecido de Úrano e foi descoberto pela Voyager 2. Nome dado em homenagem à Rosalinda de Shakespeare.
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