A personagem Madame Bovary da importante obra do escritor francês Gustave Flaubert criava sonhos e imagens românticas para preencher o vazio de uma vida repleta de insatisfações; o que teriam feito o autor pensar na força psíquica da fantasia.
O que existe de “anormal” em sonhar com aventuras românticas maravilhosas, enquanto leva uma vida comum?
A descrição desse estado de espírito é tão precisa que foi forjado um termo para designa-lo: Bovarismo. Bovarismo, desde então, passou a ser sinônimo de capacidade de imaginar.
Bovarismo também é a designação da doença original da alma humana, onde o ser humano concebe a si mesmo de outro modo que não aquele que é na verdade. Ou seja, o bovarismo consiste em “se imaginar diferente do que se é”.
Essa capacidade remete, nas pessoas “normais”, não a uma fraqueza de caráter, mas a um funcionamento psicológico, típico da espécie humana. Isso porque existe a ideia de que o pensamento humano pode seguir dois caminhos : o das sensações ordinárias, da realidade, e o de um universo produzido como se fosse um paralelo do outro. Quando o real é cruel ou insatisfatório, o pensamento toma o caminho da fantasia ou ilusório, como um mecanismo heroico de se fazer sentir como um ser melhor e mais aceitável pela própria pessoa.
Na minha opinião, o tédio da vida moderna e a estupidez da realidade são, hoje em dia, os principais fatores que levam a uma maior sensibilidade imaginativa. O boverismo está nitidamente nos relacionamentos virtuais devido a procura ansiosa para preencher o vazio existencial que assola a todos nós.


Muito bem (d)escrito!
isso me parece com a bipolaridade.