Adoro cuidar das minhas plantas. Pena que não tenho muito tempo para me dedicar a elas. Sempre sou surpreendida por uma delas. Nessa primavera foi a vez da minha Sansevieria cylindrica, cujo nome popular é Lança-de-São-Jorge. Sua inflorescência me encantou (foto acima).
Admirando a beleza da natureza à nossa volta podemos tirar grande experiência dela. Incomodada porque toda a beleza da minha planta estava fadada a se esvanecer, pensei que não só ela possui a sina da transitoriedade à qual está destinada. A beleza do corpo e do rosto humanos, típica da juventude, nós a vemos perder-se no decorrer de nossa própria vida. Assim também acontece com nossos sentimentos, nossos amores e a muitas coisas que criamos. Tudo se transforma e por fim se esvai associado a sua escassez no tempo. Tudo tem seu tempo. Tudo está limitado a seu tempo.
Ao pensarmos que tudo que temos de bom – as belezas da natureza, o universo de sentimentos que cultivamos, nossos amores e até sabedoria- desvanece e se transforma em nada sob a ação do tempo, podemos tanto nos desiludir quanto valorizar ainda mais o presente.
O valor da escassez do tempo reside no fato de que aquilo que amamos e admiramos é valorizado justamente por seu aspecto transitório. Ou seja, a constatação da limitação da existência (sejam coisas, situações ou pessoas), nos quais investimos nosso afeto os torna ainda mais preciosos no momento em que podemos desfrutar deles.
No que diz respeito à natureza, a esperança é que elas sempre retornam exuberantes no ano seguinte.

